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abril 10, 2011

sophia e lyon de castro

lyon de castro
lyon de castro
lyon de castro




 Lyon de castro no museu do chiado ,o tempo incerto , a nossa resignação, a desta gente que amamos , um dos poemas da minha vida.




Esta gente

Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco

Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis

Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre

Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome

E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada

Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo


 
Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Geografia