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Que mata de amores, mourir d’aimer, de Castilho a Aznavour, o amor e a morte vivem juntos. No imaginário colectivo, desejo e poder, cocktail explosivo, matam. O ciumento, possuído pela obsessão de duas paixões, por si e pelo outro, decreta a morte física de um deles ou de ambos. Lady Macbeth, Otelo e tantas outras histórias, como a da mulata triste de Chico Buarque, que errou na morte e cuja dor não vem no jornal.
Desaguei no mito bíblico. De entre estes, um dos mais interessantes é o episódio relatado no Livro de Judite. Na realidade tinha sido Jorge Semprum, a apresentar-me a Judite, com quem o autor, por seu lado, se tinha tomado de maior intimidade, diria, de uma espécie de obsessão, por via da pintura de Gentilleschi, Judite e Holofernes.
De facto, quem verdadeiramente se apaixona por esta representação não é o autor, mas Mercedes, a personagem de Vinte Anos e Um Dia, que percorre o Museu de Capodimonte durante a viagem de núpcias. E é o seu olhar encantado na contradição da alma de Judite o pretexto “ premonitório” para o relato da história de amor de José Maria e Mercedes Avendaño. E desta pintura emerge o leit-motiv para uma análise das relações sociais na Espanha dos anos 30, em que Mercedes e Judite se confundem numa ousadia vanguardista dos costumes.
Continua
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