dezembro 17, 2012

narrativa verdade ficção e keats





Em conversas informais a plausibilidade da narrativa é frequentemente mencionada como um dos parâmetros valorizado pelo leitor. 


De cada vez que oiço perguntarem a um ficcionista se o que escreve tem algo de autobiográfico, sorrio interiormente – tem e não tem, nunca o saberás, é o que menos conta.

 Interessa-me que ele seja um fiel mentiroso, que me leve a acreditar no inacreditável. Não raras vezes nos deparamos com a prova provada de que a vida ultrapassa a ficção.

 E não há história que não venha  do viver, das vidas de antes e depois, daqui e dali.



Quando oiço falar de livros, também me encantam as pessoas que começam a fazer juízos mais ou menos morais sobre as personagens, ele não devia ter feito, ela, se estava casada com ele.... E sinto uma ternura imensa por esse tipo de leitores, que jogam este jogo de ler, lendo tão sinceramente, que espelham a sua própria moral e crítica de costumes na forma como lêem. Lembro-me sempre das histórias infantis, moral da história, diziam elas.



E ponho-me a procurar mitos antigos, de sentimentos e sensações iguais aos de hoje, ciúme amor, ódio, traição, dos reinos de  Afrodite, Eros e Psiché, de Lâmias com dissimulados corpos de serpente, de mulheres - bruxas, e apaixonadas.



 Hoje descubro este bocadinho de Keats que gosto de ler sem me perguntar por quê.


" I was a woman, let me have once more 
A woman's shape, and charming as before. 
  I love a youth of Corinth — O the bliss! 
  Give me my woman's form, and place me where he is.  
  Stoop, Hermes, let me breathe upon thy brow,
  And thou shalt see thy sweet nymph even now."





 Moral da história,será a literatura um rio de pedagogia para a vida ou tão só mais uma fonte de prazer que suscita interrogações?




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