dezembro 28, 2011

este céu azul deste natal em portugal

Era abril e prometeram-lhes tudo. Liberté, egalité, fraternité. Tudo coisas muito antigas. Logo nesse dia se reuniram  os de dentes amarelos, em tons perguntativos que  não deixavam dúvidas , a não ser aos inebriados pela luz da liberdade , da igualdade da fraternidade. 
Narizes torcidos em rostos cinzentos, nesse mesmo dia perguntavam-se uns aos outros em surdina , guturais   Libertéeeeee? Egalitéeeeee?  Fra…..quê ê ê????


E os inebriados e as inebriadas dos céus azuis de lisboa, do alentejo, de cidades por aí, de certas aldeias do norte em que o dia chegava só no dia seguinte. - Será possível? Será agora que o meu manel não vai prá guerra? Será desta que a minha mais nova vai ganhar o mesmo soldo de um homem? Querem ver que é agora que me libertam o homem de Caxias? E libertaram.


 E ao mesmo tempo se acoitavam os que lá os tinham posto. E ouve indícios, maiorias silenciosas, a reacção, dizia-se. Os comunistas, diziam eles.   

  E a primavera de abril durou só até novembro. E o resto são cantigas.

1 comentário:

  1. Bom,sempre restou mais qualquer coisas de ante-novembro!A ilusão de se ser dono do destino de quatro em quatro anos,mas mais,muito mais,o de estarmos aqui a falar destas coisas.É claro que não nos devemos acobardar,de nos enovelarmos no medo de perder pequenas certezas,míseras comodidades,como desgraçadamente, vejo surgir um pouco por toda a parte.A perda irreparável é sempre a da dignidade,do auto-respeito.

    Novelo

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