janeiro 18, 2015

o indiscreto pormenor na sexualidade e a lima horaciana




Andava eu atrás da voz que Oliveira Martins terá escutado numa daquelas tertúlias que tinham lugar à volta da mesa – como em França – attristés souvent, bien changés, les uns glorieux, les autres battus de la vie –  e que ele traduziu por Vencidos da Vida.


Eça e a sua época, algum paralelismo com os dias de hoje? 


Numa tentativa de «ouvir a outra parte», como me aconselha bastas vezes a mais jovem cá de casa, decidi consultar várias fontes. Se nos dermos ao trabalho de olhar para A Língua e a Literatura Portuguesa,1959, do Padre Arlindo Ribeiro da Cunha encontramos pérolas deste tipo:


Sobre mulheres


«…a própria mulher, não satisfeita de concorrer com o homem no escritório, na advocacia, na repartição, na política, fez-se, como ele, escritora e aparecem todos os dias livros para crianças, romances, contos, peças de teatro e livros de versos firmados por nomes femininos.»



Sobre tendências actuais da literatura ( já no sec.20)


«Quando há prosa, pena é que se ressintam algumas obras da falta de lima horaciana, e haja o romance, sobretudo, agravado o sistema de Eça de Queirós no que tem de menos aconselhável: o indiscreto pormenor na sexualidade. Entre as boas qualidades que em geral se observam, é justo enumerar o rigor da análise descritiva, o gosto da paisagem, a vivacidade do diálogo, o auscultar das palpitações das massas populares, e muitas vezes, o espiritualismo construtivo.»




Razão tinha o Eça quando n’O Tempo responde ao Correio da Manhã «Mas que o querido órgão, nosso colega reflita que, para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava.» (…) In, carta de Lopes d’ Oliveira a Gomes Monteiro, 1944.






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