outubro 19, 2016

A índia que amava Adamo


No tempo em que Marisa queria ser índia, a subir às árvores das traseiras do pátio do Liceu , maltratava com setas invisíveis cow-boys imaginários.  As índias não  ficavam nas tendas a preparar feitiços, preferiam ir à luta.

  Havia lá na turma uma menina com umas pernas sem aquela curva habitual, entre o tornozelo  e o joelho - característica que Marisa achava o máximo e que invejou durante algum tempo. As pernas de Marisa, evidenciavam muita correria,muita dança,  cresciam como aos pássaros crescem as asas. Na realidade o magro tornozelo  não a impediu de manter contacto com o  colega de carteira do turno da tarde, que insistia em sugerir encontros. Minúsculos recados  presos debaixo do tampo da carteira a que ela respondia diligentemente, enquanto as outras corrigiam os trabalhos de casa. Marisa não tinha facebook, muito menos telemóvel. 

Naquele tempo eles tomavam a iniciativa, uma menina era uma menina, aquela correspondência era capaz de ser pecado. Da culpa fugiam em correria, ao toque de saída, ladeadas por aquela multidão de rapazelhos .  O encontro nunca chegou a acontecer, aquele  amor foi apenas mais um ,entre muitos, platónicos é claro.-  à época  os corações a aquecer por   Adamo, Cliff Richard e  Simon Temple . 



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