março 30, 2012

Pimps, as sangrilentas não dormem!

  Os puristas não gostam muito . Mas pimp ( Pessoa que explora prostitutas ou prostituto) é a melhor palavra para nomear este tipo de gente, independentemente do género.  São homens ou mulheres e andam por aí, por esse mundo fora,também  pelos caminhos  desta nossa europa tão civilizada.

Aos traficantes destes novos(?) escravos , dedica a autora esta história.


 

A princípio não sabia bem como havia de dormir com um homem que lhe fazia a vida negra. Mas do mesmo modo que aprendera a falar e a andar, foi percebendo como se comportar .Contudo havia noites em que se sentia trespassada e sangrava, sangrava muito.Já que não podia chorar.

Habituou-se àquele universo de sangue que lhe escorria até aos pés, e às vezes vomitava.Começava então a sangrar pelo nariz, pelos ouvidos, pelos olhos, sangue vermelho como o dos touros dos toureiros.Ninguém se apercebeu de como ia ficando cada dia mais branca, comida por dentro, transparente. Quando quase deixava de sangrar, fazia-lhe falta.

  Uma noite, arrastou-se até à cozinha, encontrou um copo que mordeu, passou a língua pelo céu da boca ,três gotinhas. Subiu a escada com o copo partido na mão, e quiz que nenhuma vida existisse mais negra nunca mais.

 Atordoada, abriu lentamente a porta do quarto, sentia-se debaixo de água, encolheu os joelhos e deitou-se de lado. Foi-se golpeando no escuro e ao vulto adormecido a seu lado. A cama era um lago de sangue e nada era negro, a claridade da morte iluminava a madrugada.

 maria joão carrilho

Ler e ver mais:

Doi muito. Nem consigo andar. Um dos meus ovários rebentou em Israel.

março 12, 2012

Quilhosa Balsas, uma cantiga de escárnio.

 Que somos um país de poetas, já o sabíamos. Que nos momentos de crise há em todos nós um manancial de escárnio nada desprezivel, também. É  o caso deste nosso Quilhosa Balsas a quem ousaria incluir no lote daqueles a quem a desgraça faz rir, continuadores de Fernando Esquio e outros que podem ouvir aqui.





 HÁ QUE DIMINUIR A POPULAÇÃO


Todo o português
que tem amor à sua terra
quando enterra
não molhe a terra.
A guerra
na nossa terra
é – não ter filhos
nem sarilhos.
Para não molhar a terra
há muita maneira que emperra
tal decisão.
Quando chega a chuva
um guarda chuva
cobre a erupção.
Guarda chuva bem colocado,
e não furado,
é êxito assegurado.
Há outras variantes
conhecidas pelos amantes.
A coberto destas variáveis
o mais importante
é não aumentar a população.
Está numa população menor
a tábua da nossa de salvação.
 
Senão vejamos
- menos gente a reclamar
menos gente a chorar
menos coisas a importar
menos gente nos serviços sociais
menos gente nos hospitais
menos gente a espiar
menos televisão no ar
menos gente a comentar
menos deputados a aturar
menos ministros a errar
menos conversas de embalar
menos gripe para curar
menos caspa para limpar
menos gente a enterrar
menos gente a mamar.

mas o melhor mesmo é não molhar
a terra
quando enterra!...
Faça tudo para não criar.
Muito cuidadinho ao soltar!!!