dezembro 28, 2011

este céu azul deste natal em portugal

Era abril e prometeram-lhes tudo. Liberté, egalité, fraternité. Tudo coisas muito antigas. Logo nesse dia se reuniram  os de dentes amarelos, em tons perguntativos que  não deixavam dúvidas , a não ser aos inebriados pela luz da liberdade , da igualdade da fraternidade. 
Narizes torcidos em rostos cinzentos, nesse mesmo dia perguntavam-se uns aos outros em surdina , guturais   Libertéeeeee? Egalitéeeeee?  Fra…..quê ê ê????


E os inebriados e as inebriadas dos céus azuis de lisboa, do alentejo, de cidades por aí, de certas aldeias do norte em que o dia chegava só no dia seguinte. - Será possível? Será agora que o meu manel não vai prá guerra? Será desta que a minha mais nova vai ganhar o mesmo soldo de um homem? Querem ver que é agora que me libertam o homem de Caxias? E libertaram.


 E ao mesmo tempo se acoitavam os que lá os tinham posto. E ouve indícios, maiorias silenciosas, a reacção, dizia-se. Os comunistas, diziam eles.   

  E a primavera de abril durou só até novembro. E o resto são cantigas.

dezembro 05, 2011

pátria

E não é que quando soube que a alemanha está também sob vigilancia da Standard & Poors senti aquele risinho sardónico na alma? Eu até nem tenho pátria, não gosto de ter pátria. Amo a cultura alemã, como a francesa ou a espanhola, ainda mais a irlandesa e até a inglesa. Como não havia de amá-las se fazem parte de mim.  Da alemanha saboreio os poetas, os filósofos, os pintores, os arquitectos, os músicos, os bailarinos. Deleito-me com a paisagem.  Gosto das pessoas, das crianças, dos homens e das mulheres. Sim, li o diário de anne frank em miúda e não aprecio nazis. Mas se querem que vos diga, conheço muitos mais portugueses nazis que alemães. E ao contrário de coisas que terão acontecido a muitos dos meus amigos, a mim nunca me aconteceu não me aprovarem ou manifestarem estranheza pela minha proveniência ou aspecto de indecifrável origem. Nunca tive razões de queixa. Por tudo isto só posso concluir que estou doente. A crise, o subsídio, o euro, estão a tirar-me o discernimento. Às tantas prefiro ficar sem o euro, as agências, os mercados. E, já agora, sem a senhora merkel.