julho 25, 2011

eles aí estão, o bem e o mal


Fim de semana muito perto de  ruy belo “hei-de levar-te filha a conhecer a neve “,  Poema para  a Catarina em despeço-me da terra da alegria, falamos da vida do poeta  que visitamos com a ajuda das fotografias do filho , Duarte. Quais as palavras certas para criar seres humanos bonitos? Ninguém parece ter descoberto o segredo. Nenhuma receita para neles crescer este    olhar  sobre a realidade e não outro.
 
Contudo há poetas que descobrem a bondade .

 A mim não me esquecem versos como “e a voz de uma ave oculta em laranjeiras/ pode subitamente provocar o pranto”. Também , “ a morte é uma coisa que se vê”,se me  pega à pele.Ruy Belo, claro.

Acordo na segunda feira com Musil. Bem acompanhada, portanto. A um sentido de realidade acrescenta ele a inevitabilidade de um sentido de possibilidade, “ aquela capacidade de pensar tudo aquilo que também poderia ser e de não dar mais importância àquilo que é do  que ao que não é”.Leio n’ o homem sem qualidades o mundo em que me sinto bem. Por via desse mundo,  benevolamente me acusam de pertencer aos  que acreditam que tudo é possível. O mundo dos “visionários, sonhadores ,fracos”, que deve ser contrariado à nascença, observa Musil, o autor da suprema ironia.

Acena-me a crua realidade de um monstro loiro como um anjo , educado numa sociedade perfeita, onde dizem que são as pessoas perfeitamente felizes. Este religioso, ao que parece, desenterra ideias velhas, decrépitas ideias xenófobas e destrutivas. Uma sociedade feliz? Devíamos talvez repensar a felicidade.E a palavra certa para lá chegar. Não só na Noruega. Mesmo por aqui, nós, os pobres periféricos latinos.


 

julho 14, 2011

filósofos que me fazem lembrar a Farinha Amparo.



 Há dias em que penso com a epiderme e discursos a que sou epidermicamente alérgica. Este senhor José Gil é o caso. É que, quando o oiço, lembro-me logo do Eduardo Lourenço, o que é que isto tem a ver? Nada. Nunca vos aconteceu, uma coisa evocar o seu contrário?


Pois agora vem para cima de nós como se tivesse descoberto a pólvora,  existe um movimento social que José Gil ainda "não sabe pensar". Faz-lhe falta um qualquer ismo sem o qual se desnorteia. Porque é que não o inventa? O povo agradece. Anda tudo à nora, desabafo da dona Aurora que faz rissóis para fora, repetido e tripetido de cada vez que lá vou.  Pergunta-me sempre – Mas para onde é que foi o nosso dinheiro

E eu volto para casa a remoer; contam-me que as economias de mercado se afastam cada vez mais dos humanos, vivem e jogam ilusões, há bancos a vender “ futuros” (produtos que são uma espécie de aposta, num hipotético valor que determinado produto atingiria daqui a x tempo, como no poker). Já não interessa nada vender beterrabas, pepinos, automóveis, vendem dinheiro uns aos outros. Chamam a isto mercado financeiro, e quem avalia o valor do dinheiro são as tais agências… Tal e qual uma dança de roda? Um inquebrável ciclo vicioso? 
Não é de certeza o jogo das crianças da Namíbia a quem dava jeito algum dinheiro para avançar com a construção da sua escolinha, ou comprar medicamentos que os impedissem de morrer de malária. Mas também, morrer de fome ou de malária, tanto dá. Que raio de mundo.




julho 01, 2011

Pedro Cabrita Reis

Pergunta O Público a Pedro Cabrita Reis: A arte continua, então, a ser um diálogo com deus? – Claro. Cada pincelada é o Big Bang original.


“O que conta é o caminhar. A linha do horizonte está sempre para lá dos teus passos.” Nada que não tenha sido evocado por outros, mas que, no caso, faz ressoar em mim a questão do inatingível, do “querer sempre caminhar”, como diz Pedro Cabrita Reis, “a vontade de caminhar”, não só a construção do caminho, único, camiñante no hay camiño, mas o desejo de chegar aonde se sabe que se não chega nunca – a deus.


Que a arte “sejas escritora, matemática, política, economista”, não passa desta conversa com deus, já me tinha sido revelado pela minha amiga, a escritora, que me descrevera um episódio passado com ela junto de um comboio que se afastava do cais, lentamente, em certa manhã de chuva de verão. Confessou-me que a rima  pobre de ti/ o não teres percebido/ que ali/naquele dia em que chovia / eu não chorei/ chovi lhe tinha aparecido como que por milagre e que ela não podia jurar de onde tinha surgido, se de algum livro antigo, lido há muito tempo atrás ou se de dentro dela própria se tinham derramado as tais palavras e que por isso nunca se atreveria a publicá-las.

Uma coisa é certa, há qualquer coisa de mágico em nós.