março 25, 2011

o cavaco é uma avantesma parida de si mesmo e o dantas pim


gosto do poema em que o poeta perde o agá do há
porque não há-de um poeta esquecer o agá do há
por que não há-de o poeta ter alguém que o siga a apanhar todos os agás dos hás que ele vai deixando cair pelo caminho
porque não há-de o poeta de manto ensanguentado de agás 
ter voado e deixado correr ao vento os agás que lhe escorrem pela roupa
porque não há-de o poeta esquecer-se até da roupa e sentar-se nú no computador a escrever o seu poema mais urgente


eu podia ser escravo desse poeta
caminhar atrás a segurar o manto do poeta
a não deixar fugir os agás.



para ler o poema que fez nascer este:

in,

porque o cavaco é uma avantesma parida de si mesmo

março 19, 2011

o japão e as palavras

Há palavras que é melhor não pronunciar.
Nomes de deuses que é proibido nomear. Como a palavra morte, essa deusa que acaba por nos livrar do mal amen.

Palavras proibidas e outras deixadas para trás, em épocas muito remotas. Palavras que preferíamos encerrar em gavetas, para sempre. Como as palavras preto, cheira a catinga ou deutsche schwein. Que despoletam expressões lagarto, lagarto, cruzes canhoto, vade retro. Coisas que dizemos em latim, para atenuar, como se o latim ajudasse ao eufemismo. Quando não queremos admitir a gravidade de uma discussão, dizemos que houve um qui pro quo, um ligeiro qui pro quo.

 Eu acredito na força das palavras, para o bem e para o mal.

 Neste caso, no silêncio do povo japonês. Faz-me lembrar a palavra maresia.

março 08, 2011

basta




E se não for? Se não for uma manobra daqueles que querem acabar com os partidos para voltar a tempos de ditaduras? E se for um grito de revolta, um genuíno  dia de raiva, não apenas desta geração mas de todos os que ainda têm capacidade para sentir?  E depois? Alguém tem o monopólio da liberdade, das liberdades, da revolução? Porquê agitar o fantasma dos ditadores?   Que democracia é esta em que há uns que têm mais direito a ser iguais que outros, sobretudo se estiverem encostados aos podres poderes habituais? Não são  ditatores os que louvam atitudes tipo - diz que sim a tudo, senão ainda te lixas?

 Quem é que continua a achar que precisamos  destes partidos como de pão para a boca? Só aqueles que andam há tempo demais a comer à nossa custa. Caso seja preciso mudar, porquê passar este atestado de menoridade aos que, finalmente, parecem  estar à procura de soluções diferentes? Não gostam do formato? Arrepia-os o tom ligeiro, a informalidade, só porque o discurso não é introduzido pela expressão solene portuguesas - pausa - e portugueses?  

A mim vem-me mesmo a calhar este movimento de jovens, a tal  caldeirada  de que fala o supra citado blogue.

 É que nós, os desta geração, também estamos fartos disto. Nós, os que fomos escravos toda a vida e por amor à liberdade vezes demais nos calámos. Vezes demais votámos no mal menor.   

 Basta! Denunciar  é preciso!