Como gostaria de saber em que momento da História e sob que infeliz circunstância se terá o homem visto obrigado a dividir o universo, a inventar regras para a utilização dos bens/ valores/ terra/ar a que temos direito .
A propriedade é de todos ou individualmente se divide independentemente de cada necessidade?
Ora isto tem tudo a ver com as laranjas do senhor António, ele plantou as laranjeiras no quintal que, por ora, é nosso. Cuidou delas durante muito tempo. Não deveríamos considerar, pelo menos, que as laranjas não são nossas? Teríamos talvez direito a algumas enquanto tratássemos delas.
A propriedade é de todos ou individualmente se divide independentemente de cada necessidade?
Ora isto tem tudo a ver com as laranjas do senhor António, ele plantou as laranjeiras no quintal que, por ora, é nosso. Cuidou delas durante muito tempo. Não deveríamos considerar, pelo menos, que as laranjas não são nossas? Teríamos talvez direito a algumas enquanto tratássemos delas.
A realidade é que a terra não nos pertence, usufruímos dela por um incerto período de tempo. Na verdade, trocámos o quintal por trabalho. Bastar-nos-ia prescindir dele depois de morrermos. Terá provavelmente sido esse o passo em falso, desejar que os nossos filhos visitassem os mesmos lugares , que ali procriassem e deitassem semente.
Este pecado ou exagero de querer o homem eternizar-se, como deus, de não ser capaz de abrir mão da sua vontade,não se coibindo de ditar o caminho dos "depois si"... Mas depois de si, ele já era. E que gerações de mimados e egoístas ! Gente que tudo recebeu sem nada dar em troca, nem , por vezes , ou cada vez menos, a ternura e o respeito, o amor que os velhos ,isso sim ,gostariam de ter.
Não imaginaste ,pois não Locke * , que um dia estaríamos a discutir as laranjas do sr. António.
* Concerning Civil Government, capítulo v, Of Property
Este pecado ou exagero de querer o homem eternizar-se, como deus, de não ser capaz de abrir mão da sua vontade,não se coibindo de ditar o caminho dos "depois si"... Mas depois de si, ele já era. E que gerações de mimados e egoístas ! Gente que tudo recebeu sem nada dar em troca, nem , por vezes , ou cada vez menos, a ternura e o respeito, o amor que os velhos ,isso sim ,gostariam de ter.
Não imaginaste ,pois não Locke * , que um dia estaríamos a discutir as laranjas do sr. António.
* Concerning Civil Government, capítulo v, Of Property
